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Aristóteles nasceu em Estagira, colônia grega da Trácia, no litoral setentrional do mar Egeu, em 384 a.C. Filho de Nicômaco, médico de renome - cientista da natureza, portanto -, teve claramente a influência da profissão do pai no seu projeto filosófico. Aos dezoito anos, em 367a.C., foi para Atenas a fim de aperfeiçoar sua espiritualidade, e lá ingressou na Academia platônica, onde se tornou discípulo de Platão. Teria ficado na Academia por vinte anos, até a morte do Mestre. Lá, Aristóteles amadureceu e consolidou sua vocação para filósofo. Foi um discípulo brilhante inicialmente, e professor de retórica depois.
Durante este período na Academia, o jovem Aristóteles chegou a defender os princípios platônicos em alguns escritos. Mas sua inteligência e disciplina extraordinária o faziam discordar em muitos pontos da doutrina do mestre. De fato, Aristóteles foi um dos primeiros e o maior crítico da teoria platônica das Idéias.
Aristóteles achava que Platão tinha virado tudo de cabeça para baixo. Para Platão, o grau máximo de realidade está em pensarmos com a razão. Para Aristóteles, ao contrário, era evidente que o grau máximo de realidade está em percebemos ou sentirmos com os sentidos. Platão considera tudo o que vemos ao nosso redor na natureza meros reflexos de algo que existe no mundo das idéias e, por conseguinte, também na alma humana. Aristóteles achava exatamente o contrário: o que existe na alma humana nada mais é do que reflexos dos objetos da natureza. Para Aristóteles, Platão foi prisioneiro de uma visão mítica do mundo, que confundia as idéias do homem com a realidade do mundo.
Após ter marcado bem a sua posição em relação à teoria das idéias de Platão, Aristóteles constatou que a realidade consiste em várias coisas isoladas, que representam uma unidade de forma e substância. A "substância" é o material de que a coisa se compõe, ao passo que a "forma" são as características peculiares da coisa, aquilo que ela faz.
A diferença entre "forma" e substância" também é muito importante quando Aristóteles descreve como o homem reconhece as coisas do mundo.
Aristóteles se interessava pelas mudanças da natureza. Assim, observava os processos naturais e buscava ordenar a natureza em diferentes grupos ou categorias. Dessa forma, Aristóteles foi um organizador, um homem extremamente meticuloso, que queria pôr em ordem nos conceitos dos homens. De fato, ele também fundou a ciência da lógica, e estabeleceu uma série de normas rígidas para que conclusões ou provas pudessem ser consideradas logicamente válidas.
No seu projeto de "colocar em ordem" na vida, Aristóteles divide os fenômenos da natureza em diferentes grupos, partindo das características das coisas; melhor dizendo, daquilo que elas são capazes ou daquilo que elas fazem. Podemos perceber uma transição gradual de de vegetais simples para plantas mais complexas, de animais simples para animais mais complexos. Bem no alto dessa "escada" está o homem, que, para Aristóteles, vive a plenitude da vida na natureza. O homem cresce e se alimenta como as plantas, tem sentimentos e capacidade de locomoção como os animais, mas possui além disso tudo uma característica muito especial, que só ele tem: a capacidade de pensar racionalmente.
Por isso, o homem possui uma centelha de razão divina. Isso mesmo... divina! Em algumas passagens, Aristóteles explica que deve haver um Deus que colocou em marcha todos os movimentos da natureza. E, assim, Deus passa a ssumir o cume absoluto na escada da natureza.
Sua visão da mulher não era das melhores. Na reprodução, a mulher é passiva e recebe, enquanto o homem é ativo e semeia. Dessa forma as características seriam predominantemente do pai. Apesar disso suas relações com as mulheres eram amistosas.
Em sua Ética, Aristóteles se pergunta: Como o homem deve viver? Do que o homem precisa para viver uma boa vida?
Aristóteles acredita em três formas de realidade: a primeira é uma vida de de prazeres e satisfações. A segunda é uma vida como cidadão livre, responsável. E a terceira é a vida como pesquisador e filósofo. Ele sublinha o fato de que é preciso integrar essas três formas a fim de que o homem possa levar uma vida realmente feliz.
Para a política, Aristóteles cita diversas boas formas de estado: democracia, monarquia, citando suas vantagens e defeitos, mas a melhor seria a aristocracia. Valoriza a liberdade individual e a privacidade, que devem estar acima do poder social (ao contrário de Platão) . Não acredita numa Utopia, porque a maldade é inerente à alma humana. Alguns são destinados a comandar, outros a obedecer. Despreza o trabalho manual, rebaixado aos escravos, como era comum na Grécia antiga. A educação deve ficar por conta do Estado. O controle social é necessário, acredita , porque leva à virtude.
Aristóteles organizou uma biblioteca. De fato, era um homem que passava grande parte do tempo estudando, e Platão chegou a critica-lo por estar sempre em companhia dos livros, enquanto Aristóteles critica Platão por mitificar a realidade. Essas obras foram as mais lidas, discutidas e comentadas da Antigüidade, deixando um legado inestimável para a história da cultura, e alterando de forma definitiva o curso da história da filosofia.