Sócrates queria descobrir como o homem podia levar uma boa vida. Na interpretação de Sócrates feita pelos cínicos e pelos estóicos, isto estava na necessidade de o homem se libertar de todo o luxo material. Mas Sócrates também teve um aluno chamado Aristipo. Para ele, o objetivo da vida seria obter dos sentidos o máximo possível de satisfação. Aristipo dizia que o prazer era o bem supremo, e a dor, o mal supremo. Assim, seu objetivo maior era desenvolver uma filosofia de vida capaz de toda e qualquer forma de sofrimento. (O objetivo dos cínicos e dos estóicos era suportar todas as formas de dor, e isto é algo completamente diferente de fazer todo o esforço para tirar do caminho a dor.)

Por volta de 300 a.C. Epicuro (341-270 a.C.) funda em Atenas uma escola filosófica: a escola dos epicureus. Ele desenvolveu ainda mais a ética do prazer de Aristipo e a combinou com a teoria do átomo de Demócrito.

Conta-se que os epicureus reuniam-se num jardim. Por esta razão, também eram chamados de "filósofos do jardim. Dizem também que sobre o portão de entrada do jardim havia a seguinte inscrição: "Forasteiro, aqui te sentirás bem. Aqui, o bem supremo é o prazer".

Epicuro ensinava que o resultado prazeroso de uma ação sempre deve ser ponderado em relação a seus eventuais efeitos colaterais. Epicuro também achava que o resultado prazeroso de curto prazo devia ser ponderado em relação a um prazer maior, mais duradouro e mais intenso, a ser obtido a longo prazo. Diferentemente dos animais, o homem tem a possibilidade de planejar a sua vida. Ele possui a capacidade de "calcular o seu prazer".

Epicuro fazia questão de enfatizar, porém, que "prazer" não significa necessariamente satisfação dos sentidos. A amizade ou a sensação vivenciada ao se admirar uma obra de arte também podem ser muito prazerosas. Além disso, outros pressupostos para o prazer da vida são os velhos ideais gregos de autocontrole, da temperança e da serenidade. Isto porque o desejo precisa ser controlado. Assim, a serenidade também nos ajuda a suportar a dor.

Com freqüência, pessoas acometidas por temores de origem religiosa procuravam o jardim de Epicuro. Nesse caso, a teoria do átomo de Demócrito era extremamente útil contra a religião e a superstição. Para viver uma boa vida também era importante se libertar do medo da morte. Nesta questão, Epicuro retomava a teoria de Demócrito que não acreditava na vida depois da morte, já que após a morte os "átomos da alma" se dispersavam para todos os lados. "Por que ter medo da morte?", perguntava Epicuro. "Enquanto somos, a morte não existe, e quando ela passa a existir, nós deixamos de ser."

O próprio Epicuro resumia sua filosofia libertadora naquilo que ele chamava de quatro remédios:

Não precisamos temer os deuses. Não precisamos nos preocupar com a morte. É fácil alcançar o bem. É fácil suportar o que nos amedronta.

Na Grécia não era novidade comparar a atividade de um filósofo com a do médico. Nesse sentido, o homem precisa ter sempre à mão uma "farmacinha filosófica de bolso" que contenha os quatro remédios importantes acima mencionados.

Contrariamente aos estóicos, os epicureus quase não se interessavam pela política e pela sociedade. "Vive em reclusão!" era o conselho de Epicruo. Talvez possamos comparar o seu jardim com as comunidades dos nossos dias. Nesta época em que vivemos, muitas pessoas buscam uma ilha, um "porto seguro" em meio ao turbilhão da sociedade.

Depois de Epicuro, muitos epicureus evoluíram sua reflexão no sentido de uma busca unilateral do prazer. Sua palavra de ordem era: "Viver o momento!". A palavra "epicurista" é freqüentemente usada em nossos dias de forma pejorativa, para designar alguém que só vive pelo prazer.