Platão nasceu em 428 a.C. e morreu em 348 a.C. Foi discípulo de Sócrates e também um dos maiores filósofos da história. O fato de Sócrates ter sido condenado à morte não só lhe deixou marcas para toda vida como também determinou a direção de toda a sua atividade filosófica. Para Platão, a morte de Sócrates deixou bem clara a contradição que pode existir entre as efetivas relações dentro de uma sociedade e a verdade e o ideal.
A primeira ação de Platão como filósofo foi a publicação do discurso de defesa de Sócrates. Nele Platão torna público o que Sócrates havia dito ao grande júri. Aos quarenta anos, ele funda sua própria escola de filosofia nos arredores de Atenas, num bosque que leva o nome do legendário herói grego Academos. Por causa disso, a escola de filosofia de Platão recebeu o nome de Academia. Devemos representar a Academia como uma espécie de Universidade onde se ensina matemáticas (não entra aqui quem não for geômetra), filosofia e a arte de governar as cidades segundo a justiça. O ensino esotérico (isto é, secreto, reservado aos iniciados) dado por Platão a seus discípulos só nos é conhecido atualmente pelas críticas de Aristóteles.
O diálogo foi a forma escolhida por Platão para registrar por escrito sua filosofia. Seus diálogos célebres, tais como o Górgias, o Fedro, o Fédon, O Banquete, A República, o Teeteto, O Sofista, O Político, o Parmênides, o Timeu, As Leis, constituem a mais pura jóia da filosofia de todos os tempos.
Se quiséssemos resumir a filosofia de Platão em uma palavra, poderíamos dizer que ela é fundamentalmente um dualismo. Platão interessava-se pela relação entre aquilo que, de um lado, é eterno e imutável, e aquilo que, de outro, "flui".
De certo modo, reconcilia Parmênides e Heráclito ao admitir a existência de dois mundos: o mundo das idéias imutáveis, eternas, e o mundo das aparências sensíveis, perpetuamente mutáveis. Ele achava que tudo o que podemos tocar e sentir na natureza "flui". Não existe, portanto, um elemento na natureza que não se desintegre. Absolutamente tudo o que pertence ao "mundo dos sentidos" é feito de um material sujeito à corrosão do tempo. Ao mesmo tempo, tudo é formado por uma a partir de uma forma eterna e imutável. Eternos e imutáveis são os modelos espirituais ou abstratos a partir dos quais todos os fenômenos são formados.
Platão ficou admirado com a semelhança entre todos os fenômenos da natureza e chegou, portanto, à conclusão de que "por cima" ou "por trás" de tudo que vemos à nossa volta há um número limitado de formas. A estas formas Platão deu o nome de idéias. Por trás de todos os cavalos, porcos e homens existe a "idéia cavalo", a "idéia porco" e a "idéia homem". Ou seja, Platão acreditava numa realidade autônoma por trás do "mundo dos sentidos". A esta realidade ele deu o nome de mundo das idéias. Nele estão as "imagens padrão", as imagens primordiais, eternas e imutáveis, que encontramos na natureza. Esta notável concepção é chamada por nós de a teoria das idéias de Platão.
Segundo esta teoria, o homem também é um ser dual. Temos um corpo, que "flui" e que está indissoluvelmente ligado ao mundo dos sentidos, compartilhando do mesmo destino de todas as outras coisas presentes neste mundo. Todos os nossos sentidos estão ligados a este corpo e, conseqüentemente, não são inteiramente confiáveis. Mas também possuímos uma alma imortal, que é a morada da razão. E justamente porque a alma não é material, ela pode ter acesso ao mundo das idéias.
Platão também achava que a alma já existia antes de vir habitar o nosso corpo. E ela existia no mundo das idéias. Entretanto, no momento mesmo em que a alma passa a habitar o corpo humano, ela se esquece das idéias perfeitas. E então tem início um processo extraordinário: quando as pessoas entram em contato com as formas da natureza, aos poucos uma vaga lembrança vai emergindo dentro de sua alma. Ao mesmo tempo que ocorre, isto desperta no homem um ansei de retornar à verdadeira morada da alma. Platão chamave este anseio, esta saudade, de eros, que significa amor. A alma experimenta, portanto, um "anseio amoroso" de retornar à sua verdadeira morada. A partir de então, ela passa a perceber o corpo e tudo o que é sensorial como imperfeito e supérfluo. Nas asas do amor, a alma deseja voar "de volta para casa", para o mundo das idéias. Ela quer se libertar do cárcere corpo.
Platão descreve aqui o desenrolar ideal de uma vida, pois é claro que nem todas as pessoas liberam suas almas para que elas possam empreender uma jornada de volta ao mundo das idéias. Portanto, o que Platão descreve é o caminho percorrido pelo filósofo. Podemos considerar sua filosofia a descrição da atividade de um filósofo.